terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Absurdo


Esfaquear, a nova moda que há
Vamos, junte-se também,
Competir quem mata mais,
Na covardia que me satisfaz,

A nova moda é matar descaradamente,
Desde churrascos até mesmo na calçada,
Depois que são presos são bem tratados,
Com nosso dinheiro muito suado,

São soltos depois de pouco tempo,
Graças essa justiça safada que nunca entendo,
Precária, mal ajustada,
Talvez nem um pouco desengonçada,

Isto é um absurdo!

Poema Comunista


- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
- Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia...
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar. (Jaime Cortesão)

Este poema circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Gnose (A Um Passo do Infinito)"


Procurei se seu nome estava lá,
procurei se sua alma estava viva,
O véu que limita o delicado piscar de olhos de nossa existência,
Eu ficava inquieto, querendo saber qual seria a verdade de tudo,
Apenas três coroas de flores amarelas em frente de sua sepultura,
Agora essa alma não é mais sua

Gnose significa conhecimento,
O agnóstico não tem certeza de seus pensamentos,
Se é real ou uma mera ilusão,
A razão não pode provar tudo

Rabiscado no cimento que unia as placas,
de concreto cobria sua sepultura,
Um círculo de amigos em volta,
enquanto rezavam para a sua alma pura,

Havia também um estranho,
que procurava pela sepultura de sua mãe,
com lágrimas no rosto de preocupação,
buscando pela que seria a razão,

Achar-se único,
Achar-se solitário,
julgar que tudo é por puro acaso,
sabemos que o infinito exite,
mas não podemos alcançá-lo

Esperteza


O patrão é esperto,
Trocou o escravo pelo assalariado,
Pro escravo você tem que dar o quê comer,
Pro assalariado você não tem nada a fazer,
Pro escravo você tem que dar medicamentos,
Pro assalariado você pode deixar ele em um monte de excrementos,
O escravo não pode morrer,
O assalariado tem que se virar para viver.


Nada mais rotineiro do que a vida de um assalariado, obrigado a fazer as mesmas tarefas todo o dia, como se fossem máquinas, fantoches usados para a produção em massa.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"O Operário em Construção"


"Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão."
(Vinícius de Moraes)

Operários, aqueles que levantam uma base, aqueles melhoram a infraestrutura, infelizmente, não tem sua valorização. O operário faz as roupas de elite, mas eles se vêm distante. O operário faz casas e mansões, mas os ricos que são valorizados.
Artesãos, camponeses, nobres e proletários; tomam nas mãos e parados com facas pois são obrigados a lutarem uns contra os outros. Audazes na subversão, os professores aditam à história das classes dominantes a história das classes dominadas.
O proletariado aprendeu a aprender. De cabo a rabo explorado, em todo o lugar: na fábrica, no arado, na pua e na grua do navio. A instrução era necessária e ele foi obrigado à escola, sem querer, pois foi o escasso o aprendizado, e no mais das vezes falsificado. Mas aprendeu a saber do poder do saber, e a ter sede do próprio saber.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Falsa Superioridade


Essa "superioridade" é plenamente "justificada", diante da visão superficial, pela educação mais refinada, qualificada, por um padrão de consumo bem acima da maioria, pelo acesso a um volume de informações exageradamente superior e inúmeras outras facilidades, condições restritas a minorias tanto menores quanto mais altos forem os padrões. E se confirma de forma irônica, pela necessidade que há de serviçais para manutenção desses padrões. Ao invés de perceber a fragilidade e dependência expostas, prefere-se distorcer a realidade e apresentar a exploração do trabalho mal pago como um “benefício”, o fato de “oferecer empregos”. Esconde-se a dependência e a fragilidade, maquiada, é apresentada como fortaleza: "eu pago!"

Mimos


Crianças mimadas, crescem do bom e do melhor e só pensam no próprio umbigo. Quando isso irá mudar?
Acabam virando seres arrogantes, desperdiçam tudo do que tem porque desejam ter muito mais, enquanto alguns se contentam com a miséria que tem. O desperdício gera uma satisfação, sendo que com esse desperdício poderia igualar um pouco mais as classes, tanto quanto o mimado e o miserável ficarem satisfeitos. A descontentação do mesmo gera uma agonia imensa, a ponto de vir enfrentar as outras classes para seu ego ir até as alturas, mostrando ainda mais a desigualdade social e a repressão mental.
Quando seus mimos acabam, tentam fazer de tudo só para tê-los novamente, ou seja, se passam por uma falsa imagem só para alcançar seu interesse, simples, pois assim ele não vê a realidade, e isso é deprimente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Globalização


Países interligados, pessoas conectadas, essa é a globalização acabando com a cultura de países menos desenvolvidos. Uma armadilha perfeita para os países desenvolvidos para instalarem suas empresas nos países pobres do sul. Assim, dependemos dos países ricos, tendo uma desvalorização nas nossas empresas estatais, causando uma dependência econômica e até tecnológica.
Faz com que o Estado pare de investir em si e invista no capital estrangeiro, o qual até perdemos nossas tradições de origem, resultando até em uma cultura dependente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lucro Particular


Bom, isto é nada mais nada menos do que um pequeno desabafo em relação às escolas particulares, devida as suas grandes ganâncias e hipocrisias.

Bom, estudo em uma escola particular, e esses dias ouve uma espécie de reunião das salas, onde a coordenadora estava falando sobre o ensino técnico e a desvalorização profissional, mas falou tudo errado. "Bom, quero que vocês pensem muito antes de fazer um vestibulinho, vocês não são valorizados lá fora, porque lá vocês são números, e aqui vocês são pessoas", engraçado, eles valorizam meu dinheiro, isso sim, não minha psicologia. Nada como uma mente repressora para arrancar até o nosso último centavo, refletindo a desigualdade social da educação cada vez mais.
Fora que, ela começou a falar que o ensino deles podem até ser superiores comparado à um ensino de uma faculdade pública (Unicamp, como citaram) e falam da moleza que os alunos levam lá.
Conhecimento não se adquire na moleza, e sim uma dádiva de nosso esforço, estudando cada vez mais e nos tornando conscientes, reflexivos.
Cada vez mais a privatização do ensino reflete na desvalorização profissional, por que será que nossos "cérebros pensantes" migram para o exterior? Há falta de investimentos na educação, e sem uma base não tem como se desenvolver, culpa de uma infraestrutura precária, a terceirização do ensino público, fazendo assim com que burgueses saem no lucro, já que só eles estão com mais de 46% do PIB brasileiro. "Falta cultura pra cuspir na estrutura."

sábado, 6 de novembro de 2010

"Discrepância da Educação"


Nossa educação pública vem decaindo ao passar dos anos, isso se refere a péssima infraestrutura (falta de materiais, orçamento, etc..) e também as escolas privadas.
Escolas particulares, as quais extorquem até seu último centavo, o que piora cada vez mais a situação pública. Sabe qual é o jeito de melhorar tudo isso? O jeito é se políticos colocarem seus filhos em escolas de ensino fornecidas pelo próprio estado o qual ele é empregado. Mandem eles colocarem seus filhos em transportes públicos e escolas públicas pra ver se eles não iriam investir muito mais nesse setor. Fazer o quê, se eles não fazem isso é porque nem mesmo eles confiam no próprio sistema que complementam.
Situação precária, falta de um sistema democrático.